sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dando graças pelos retos juízos de Deus

“Levanto-me à meia-noite para te dar graças, por causa dos teus retos juízos.” Salmos 119:62

O que leva um homem a agradecer a Deus por juízo?

Hoje em dia isso não faz parte da nossa “cultura cristã”. Um Deus que distribui juízo não pode ser um Deus amoroso e misericordioso. Há bastante dos nossos “teólogos de plantão” que explicam essa suposta dualidade divina criando dois públicos:
  • Os "alvos como a neve", que garantiram para si o amor e a misericórdia de Deus;
  • e os "tostadinhos da impiedade", que existem para receber de Deus o tão merecido e justo juízo.
É claro que, no fim dos tempos, tal cenário se confirmará, como deixou claro Nosso Senhor Jesus, dizendo que os anjos serão comissionados para a tarefa de separar o joio do trigo (Mateus 13:30). Mas, por enquanto, tá tudo cinza… Às vezes cinza claro, às vezes cinza escuro, mas é cinza!

Custei a perceber o óbvio…

O salmista louva a Deus porque os Seus juízos são perfeitos, didáticos, e confirmam o Seu interesse particular no próprio salmista. Caminhando pelo texto, fiquei pasmo com a gratidão de Davi pelo juízo reto de Deus sobre ele mesmo:

“Tens feito bem ao teu servo, SENHOR, segundo a tua palavra.” Sl 119:65
“Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra.” Sl 119:67
“Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.” Sl 119:71
“Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata.” Sl 119:72
“Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que com fidelidade me afligiste.” Sl 119:75
“Venha, pois, a tua bondade consolar-me, segundo a palavra que deste ao teu servo.” Sl 119:76

E por aí vai…

Quando O Senhor se propõe a me afligir, Ele o faz exatamente porque se interessa por mim, e procura me ensinar o verdadeiro valor de tudo o que me cerca. Ele deseja escrever no meu coração os Seus decretos maravilhosos. Ele intenta me tornar um cristão menos cinza, cada vez mais me aproximando do objetivo alvejante!

Em tempos cinzas como os atuais, os juízos de Deus sobre mim são uma poderosa arma para revelar o Seu particular interesse em se relacionar comigo. São uma prova incontestável de que Deus me conhece! Deus não convive com o meu pecado, portanto, Ele disciplina a quem Ele ama! Sim, os retos juízos de Deus aos quais Davi se refere são exatamente os julgamentos que a Lei faz das minhas atitudes pecaminosas, denunciando duramente o meu comportamento rebelde, agressivo e destituído de amor para com o meu Senhor e Salvador!

Por que o óbvio se tornou tão impressionante para mim? Porque eu estava acostumado a murmurar contra Deus por causa das pequenas e supostas injustiças com as quais sou fustigado diariamente. Eu me acostumei a estabelecer uma relação de causa e efeito nos meus relacionamentos e nas circunstâncias que me cercam. Eu me convenci que mereço coisas, atitudes e acontecimentos melhores porque faço coisas melhores, ou porque não faço coisas piores. Eu me assumi cinza, e gostei disso.

As palavras de Davi foram um tapa na minha cara! Se Deus não manifestar Seus retos juízos contra o meu comportamento vil, é porque Ele não me ama; é porque Ele não se interessa por mim; é porque Ele não me conhece!

Ao ímpio, Deus manifesta Sua Graça comum, que inclui a chuva que rega a terra, a vontade humana de superar desafios, e a perseverança em busca de objetivos pessoais. Tais elementos facilmente levam qualquer um a obter sucesso profissional, auto-afirmação e elevadas doses de auto-estima.

Mas somente aos eleitos é que Deus manifesta seus retos juízos que conduzem a uma vida cada vez mais desprovida de auto-estima, auto-realização e auto-afirmação; e mais repleta da estima divina, do amor de Cristo, e da consolação do Espírito Santo.

A estes, Deus revela os mistérios insondáveis do Evangelho que cura a cegueira das ilusões cotidianas, descortinando diante dos olhos a verdadeira vida e as verdades da vida!

Àqueles, Deus simplesmente vai enchendo o Seu cálice de ira, que está sendo preparado para ser derramado sobre eles na eternidade.

Finalmente, eu descobri neste texto que sofrer e ver alguém sofrer injustamente pelo Glorioso Nome do Senhor Jesus é algo que me entristece profundamente, mas como Pedro disse: “isto é grato a Deus” (1 Pe 2:20).

Entretanto, nem sempre o sofrimento é injusto. Na maioria das vezes, eu chamo de injustiça várias circunstâncias ou consequências nascidas de práticas que eu sei que são meu pecado, e faço isso pra enganar meu coração e afastar de mim os retos juízos Dele!

Assim, aprendi com Davi que muito melhor, mais produtivo e vencedor é admitir os meus pecados geradores, aceitando os retos juízos de Deus que, na verdade, me trarão instrução e alívio, pois eu aprenderei a passar ao largo destes mesmos pecados. Isso também me tornará cada vez mais humilde e humilhado, condição imprescindível para que eu aprenda a amar a Deus sobre todas as coisas e ao meu próximo (irmãos, amigos, parentes, inimigos, ímpios, etc.) como a mim mesmo.

Não quero ser mal interpretado, não abomino a auto-estima. Abomino a auto-estima que me coloca acima de outros. Pior ainda a auto-estima que me coloca acima de Deus; e tanto pior a auto-piedade que me faz acreditar que eu mereço coisas melhores de Deus! Cansei de ser cinza, mesmo cinza claro… Eu desejo que, de fato, Deus me ensine os Seus decretos e, de fato, me torne alvo como a neve!

“SENHOR, não permita que eu me engane tanto ao ponto de te buscar por causa da minha boa vida, das minhas vitórias profissionais ou dos meus supostos enlevos espirituais; e nem permita que eu continue acreditando que a minha busca me trará tais coisas! Ensina-me a amar os Teus retos juízos, e louvar o Teu Nome por aplicá-los com justiça sobre mim, porque eu agora sei que isso me tornará um homem segundo o Teu coração, como fizeste com Davi, Teu servo! SENHOR, Só assim eu serei esvaziado da minha auto-estima e da minha auto-piedade, e serei transbordado da convicção de que O SENHOR me enxerga no meio da multidão, e da certeza de que O SENHOR haverá de me aperfeiçoar para aguardar com alegria o Dia da vingança do Nosso Deus!”

A Deus toda glória, honra e louvor!

Nenhum comentário: