sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A ansiedade nossa de cada dia...

Por Juarez P. Freitas Jr.


Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?
Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

Mateus 6:25-34

A ansiedade tornou-se, nos últimos anos, quase um estilo de vida. A "ditadura do ter" nos transformou em seres incapazes de vivermos satisfeitos com nossas posses, aparências, títulos, capacidades, talentos e limitações. Somos bombardeados constantemente por uma carga enorme e sugestiva, que estabelece padrões inalcançáveis para uma propalada "felicidade".
Para ser "feliz", é preciso ter: casa da moda, roupa da moda, corpo da moda, cabelo da moda, comportamento da moda, e vontades da moda. Caso contrário, não seremos aceitos na sociedade em que vivemos, e, consequentemente, não nos realizaremos como cidadãos de um mundo globalizado e informado.
Jesus nos adverte do perigo de cedermos à "ditadura do ter", e nos mostra a fragilidade da existência humana, face à nossa arrogância em acreditarmos que somos capazes de "ter".
O texto nos conclama a abandonarmos de vez esse estilo de vida baseado em nossas visões egocêntricas de mundo, associadas a uma inveja crescente das posições e posses dos que nos rodeiam, e passarmos a uma prática terrena da nossa condição de "viventes eternos", cidadãos de um reino que não é daqui, que não funciona nos padrões deste lugar, e que não se curva aos conceitos mundanos de "felicidade".
Além disso, nesse texto, Jesus Cristo nos garante que, ao abandonarmos tais "estilos de vida", estaremos para sempre livres do mal que nos assola todos os dias, e que tem nos levado constantemente a frustrações e derrotas, a uma vida triste e insatisfeita, a ansiedade nossa de cada dia...