segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Nova Reforma Protestante ou O que eu tenho a ver com isso?

Leia a reportagem de Época, do dia 09/08/2010 intitulada: A Nova Reforma Protestante!

Leia no pavablog: http://www.pavablog.com/2010/08/07/a-nova-reforma-protestante-1/


PS: Não leia este comentário sem antes passar os olhos na reportagem citada acima!


Finalmente uma voz que tenta mostrar o lado mais cristão do evangelicalismo brasileiro. Para meu espanto, a revista abandonou o sensacionalismo dos escândalos que são comuns dentro do meio, pra mostrar um “outro lado”.

Entretanto, é forçado e pretencioso chamar os formatos apresentados como “Nova Reforma Protestante”, aí é graça “de grátis”, só mesmo achando graça!

Movimentos sociais, culturais, r(e)acionais, intelectuais, ais, ais, ais… nunca serão páreo para o milagre da ressurreição que o evangelho de Jesus pode fazer na vida de um ser humano qualquer.

Toda e qualquer igreja institucionalizada sofre com a tentação de escravizar seus fiéis, na medida em que seus líderes não têm fé suficiente para pregar e viver a liberdade que Jesus conquistou para nós na cruz – exclusivamente centrada no amor de Deus por nós, e derramado em nós por Deus para que amemos ao próximo na mesma medida – e permitirem que seus liderados aprendam e pratiquem a mesma liberdade. O grau de esquisitices eclesiásticas vai variar de acordo com a falta de fé desses líderes.

Desse mal padecem também os citados na reportagem como “novos reformadores”. Muitos deles, já estão fazendo “as pazes” com “o mundo”, chamando sua fé de cristianismo (religião), e afirmando: “gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí (Ed René Kivitz)”. Ora! Paciência! O Reino de Deus não é desse mundo, gente! A Igreja/Noiva de Cristo não está nem aí para a civilização, ela só tem compromisso com Jesus, o noivo!

Isso não é reforma, nem chega perto!

Sou presbiteriano convicto e institucionalizado. Louvo a Deus pelas iniciativas demonstradas na reportagem, que tentam falar uma linguagem menos empostada e jargonizada, como é bastante comum em nossas igrejas históricas. Mas é um ascinte à minha nenhuma inteligência querer que eu enxergue nelas a solução para os problemas evangélicos.

Me revolto ao ver que o mercadão religioso continua aberto, e cada vez mais atrativo. Com opções bem legais, com todo tipo de som, cor e forma! Desde os pseudo-pensadores que, contrariando o próprio Verbo que deixou claro ser “O Alfa e o Ômega”, afirmam: “Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro. (Ricardo Gondim)” até os pseudo-intelecto-solucionadores, que transitam muito bem na sociedade oferecendo apenas o que ela deseja da religião, dizendo: “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa… (Ricardo Gouveia)”.

Nada disso me convence: Uma nova reforma protestante só vai acontecer no momento em que toda a estrutura do “cristianismo” for rompida pra dar lugar à Fé que brota de um coração convertido à Jesus Cristo… sem lero-lero pseudo-intelectual! E isso só será encarado como “reforma” se for um rompimento em larga escala, como o que aconteceu no século 16!

Uma “reforma” disposta a transformar, e pagar o preço da ignomínia e da lonjura dos holofotes imprescindível a essa transformação! Capaz de encarar o sofrimento de se afastar dos “palcos” e de ser injuriada por não se calar diante de toda natureza de injustiça!

Uma “reforma” que transponha os guetos culturais e cause uma dor profunda nas estruturas sociais, inclusive eclesiásticas, por denunciar a perversidade manipuladora que escraviza as pessoas sob o tacão de ditaduras as mais diversas: estéticas, sociais, intelectuais, emocionais, dentre outras. Mesmo quando uma dessas ditaduras se auto-intitule: cristianismo!